Quanto mais tempo, maior o ganho — e maior o vínculo

A relação entre tempo de estrada e renda é clara: quem está há mais de dez anos no sistema tem 66% mais chance de estar no topo salarial. Já entre os profissionais com cinco a dez anos de registro, o salto é de 31%. O ponto de virada? Entre os 30 e 34 anos, faixa em que a maioria já ultrapassa a barreira dos cinco salários mínimos.

Mesmo entre os jovens, os salários tendem a ser mais altos: são minoria os que ganham menos de dois salários mínimos.

“Além de satisfeitos, os engenheiros têm renda muito acima da média nacional, e se sentem vocacionados a contribuir para a construção de projetos de impacto para o país”, destaca Felipe Nunes, CEO da Quaest.

Além de bem pagos, os engenheiros estão empregados — e na área certa. O índice de ocupação é de 92%, ante 59% da média nacional. Mais: 78% atuam exatamente na área da formação. Em geologia, segurança do trabalho e engenharia civil, esse índice supera os 80%.

A construção civil se mantém como a grande absorvedora da juventude técnica, principalmente para quem tem menos de 35 anos. Por outro lado, setores como energia, mineração e meio ambiente vêm perdendo apelo entre os mais novos.

De CLT a empreendedor: a evolução do engenheiro

No começo da carreira, a maioria entra no mercado via CLT — são 40% dos registrados. Mas o vínculo vai mudando com o tempo: entre os mais experientes, cresce o número de empresários, que já somam 20% do total. A virada acontece entre os 56 e 62 anos, justamente a faixa média de aposentadoria no Brasil.

O setor público abriga 11%, enquanto outros profissionais migram para atividades correlatas, como ensino, vendas técnicas, consultoria e, com destaque, o agro. Mesmo fora da área de registro, o DNA técnico continua presente.

Trabalho que vale a pena: propósito e confiança no futuro

Não é só uma questão de salário: o senso de realização também está em alta. Dois a cada três engenheiros dizem estar satisfeitos com o mercado de trabalho — e 80% estão contentes com a própria qualidade de vida. A nota média de satisfação é 8, acima da registrada em outras categorias profissionais.

As razões para tanto otimismo são variadas: 59% apontam o aquecimento do mercado, 55% dizem que sempre quiseram trabalhar na área e 50% se sentem reconhecidos. Do outro lado, apenas 28% se dizem insatisfeitos — em geral, pelos baixos salários no início da carreira ou pela falta de valorização.

E o futuro parece promissor: 95% acreditam que sua profissão contribui para uma sociedade melhor e 79% recomendariam a carreira para as próximas gerações.

A tecnologia, em vez de gerar medo, inspira confiança. Três em cada quatro entrevistados veem as inovações como aliadas — percepção ainda mais forte entre as mulheres.

Apesar da crescente valorização dos profissionais internacionalizados, apenas 14% já atuaram fora do país, com destinos mais frequentes nos Estados Unidos, Alemanha, Argentina e França.

Em um cenário de transformação, os dados do Confea mostram que a engenharia brasileira está se tornando mais jovem, mais diversa e mais conectada com as necessidades do país. O que antes era uma carreira concentrada e previsível, hoje se revela em múltiplas trajetórias, regiões e propósitos. Para os profissionais do setor, o futuro vem sendo construído com método, vocação e confiança.

Fonte: Quem são os engenheiros do Brasil? Veja o que revela pesquisa inédita | Reportagens especiais | Exame

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