Ensino de engenharia deve ser 100% presencial
Murilo Pinheiro 27/05/2025 Regras anunciadas pelo Ministério da Educação permitem que os cursos de graduação da área tenham até 60% de aulas a distância. Trata-se de um equívoco para uma profissão que é técnica, regulamentada e essencial ao bem-estar da população. Garantir que essas premissas sejam respeitadas é essencial para que haja boas soluções tecnológicas, otimização de recursos, preservação ambiental e, claro, segurança e bem-estar à população. Fica fácil compreender a exigência ao se imaginar a construção de edifícios,pontes e viadutos, projetos de usinas elétricas, mobilidade e saneamento,desenvolvimento de equipamentos diversos – inclusive hospitalares – a cargode pessoas sem a qualificação necessária. E esses são apenas algunsexemplos do trabalho dos engenheiros, que está presente em tudo ao nosso redor. Diante disso, é imperativo garantir formação de excelência a esses profissionais, com sólido conhecimento teórico das ciências básicas, mas também atividades práticas relevantes voltadas à sua preparação para o mercado de trabalho e os desafios reais do desenvolvimento. Ou seja, as atuais regras previstas no Decreto 12.456 e na Portaria 378, ambos de 19 de maio, não contemplam as necessidades vitais da graduação emengenharia, que precisa ser 100% presencial. A normativa estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC) coloca a engenharia numa categoria classificada como semipresencial que permite até 60% de aulas a distância, com a obrigatoriedade de que 20% sejam síncronas e mediadas – mas ainda assim online. Restam apenas 40% de atividades realmente presenciais para cursos de enorme complexidade, necessidade premente de experimentação e acompanhamento efetivo da aprendizagem. Há quase duas décadas, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e seus sindicatos filiados vêm reivindicando mais e melhores engenheiros para oBrasil. Juntamente com as bandeiras de luta pela valorização da categoria, o que se defende é que o País disponha dessa mão de obra essencial para fazerfrente aos desafios de hoje e do futuro. O tema está presente no projeto “Cresce Brasil + Engenharia +Desenvolvimento” desde o seu lançamento, em 2006, e segue como umapreocupação constante das nossas entidades, indo além das questõescorporativas. É do interesse dos profissionais e das suas entidades representativas que aformação em engenharia tenha a qualidade necessária, mas também dasociedade como um todo. Não é possível, portanto, considerar satisfatória a decisão do MEC para o tema. É preciso fazer ver ao governo, ao Conselho Nacional de Educação eaos demais órgãos envolvidos com o ensino superior a urgência em rever tais regras. Essa discussão é fundamental e precisa ser travada de forma séria, transparente e comprometida com o interesse público. Murilo Pinheiro – Presidente Fonte: FNE – Palavra do Murilo – Ensino de engenharia deve ser 100% presencial







